quarta-feira, 17 de julho de 2013

Crítica: Branca de Neve (2013)



Com várias referências e contando com a mesma essência do famoso conto de fadas, Branca de Neve (Blancanieves), do diretor Pablo Berger, traz uma nova e fantástica roupagem do clássico escrito pelos irmãos Grimm.



Durante uma tourada (nada mais folclórico em um filme vindo da Espanha), Antonio Villalta comete um erro e é atingido gravemente pelo touro. Sua mulher grávida, Carmen, se desespera com o acidente e acaba entrando em um complicado trabalho de parto, que culmina na sua morte. A filha porém nasce com vida, mas rejeitada pelo pai, acaba indo morar com a avó, ganhando o nome de Carmencita.

Anos depois, com a morte da avó, Carmencita é enviada para morar com o pai, que vive em uma cadeira de rodas na mesma casa que a manipuladora Encarna. A menina sofre nas mãos da madrasta, tendo de dormir em um porão empoeirado, depois de passar o dia fazendo trabalhos forçados.




Ao fugir depois de ser agarrada por um homem enquanto colhia frutos, Carmencita cai no rio e é levada pela correnteza, até ser encontrada desacordada por um grupo de anões toureiros (sete, como no conto original). Sem lembrar de nada do seu passado, a garota se familiariza com eles, e sai pelas estradas acompanhando o grupo nas suas aventuras. 

Por força do destino, Carmencita acaba tendo de encarar um touro frente a frente, e aos poucos vai recordando o passado. O final do filme é emblemático, e passa a ideia de que é preciso separar o real do fantasioso, e nem sempre o final vai ser feliz como os contos dizem.




O lirismo empregado por Berger é o grande destaque da obra. Filme mudo e com a fotografia em preto e branco, o filme segue uma tendência que fez sucesso em 2011 com O Artista, ganhador do Oscar, e que possuía a mesma característica estética. As vezes os filmes ficam pretensiosos ao tentar voltar a uma fórmula do passado, mas com Branca de Neve, o diretor conseguiu uma façanha louvável.

Cada cena possui um intenso requinte técnico, que vai desde fotografia, figurino e direção de arte encantadores, até a trilha sonora marcante, embalada pelo ritmo espanhol, principalmente o bom e velho flamenco, que dá uma identidade única a obra. Por fim, Branca de Neve é magia pura. É gratificante pensar que ainda é capaz de se ver tamanha originalidade no cinema atual. Berger está de parabéns.

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